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	<title>O inferno são os outros</title>
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		<title>O inferno são os outros</title>
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		<title>&#8230;</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Dec 2009 22:54:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>andrearomao</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Não sei por que, com seu coração em carne viva ela insiste em curativos embebidos em álcool.<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=avidadosoutros.wordpress.com&amp;blog=7856280&amp;post=23&amp;subd=avidadosoutros&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não sei por que, com seu coração em carne viva</p>
<p>ela insiste em curativos</p>
<p>embebidos em álcool.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/avidadosoutros.wordpress.com/23/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/avidadosoutros.wordpress.com/23/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/avidadosoutros.wordpress.com/23/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/avidadosoutros.wordpress.com/23/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/avidadosoutros.wordpress.com/23/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/avidadosoutros.wordpress.com/23/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/avidadosoutros.wordpress.com/23/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/avidadosoutros.wordpress.com/23/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/avidadosoutros.wordpress.com/23/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/avidadosoutros.wordpress.com/23/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/avidadosoutros.wordpress.com/23/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/avidadosoutros.wordpress.com/23/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/avidadosoutros.wordpress.com/23/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/avidadosoutros.wordpress.com/23/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=avidadosoutros.wordpress.com&amp;blog=7856280&amp;post=23&amp;subd=avidadosoutros&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Conto Bobinho. Porque às vezes é preciso rir da vida.</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Nov 2009 18:01:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>andrearomao</dc:creator>
				<category><![CDATA[Rindo da vida]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu estava caminhando pelo parque de minha cidade, um belo parque circular, com gramados floridos e mães passeando com carrinhos de bebê. É um lugar realmente agradável, e naquele dia o sol iluminava meu caminho tornando aquela manhã deliciosa. Tenho sempre o costume de passear no parque, nas manhãs de sol. Depois de algumas voltas, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=avidadosoutros.wordpress.com&amp;blog=7856280&amp;post=19&amp;subd=avidadosoutros&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu estava caminhando pelo parque de minha cidade, um belo parque circular, com gramados floridos e mães passeando com carrinhos de bebê. É um lugar realmente agradável, e naquele dia o sol iluminava meu caminho tornando aquela manhã deliciosa. Tenho sempre o costume de passear no parque, nas manhãs de sol.</p>
<p>Depois de algumas voltas, me sentindo cansado, resolvi sentar num banco e ficar observando o movimento.</p>
<p>E foi então que em meio a uma protuberância de carrinhos, crianças, babás e mães, eu a vi. Ela era uma menina-moça, que não deveria ter mais de dezoito anos. Usava um vestido rodado sedoso, e eu, que nunca entendi nada de vestidos, me senti fascinado por aquele. Tinha um laço atrás, no pescoço. Primeiro ela estava de costas, então quando ficou de frente para mim, cheguei a levar a mão ao coração. Era simplesmente a visão mais linda nesse mundo.</p>
<p>Porem a visão logo sumiu, ela havia voltado a ficar de costas e foi se afastando, quase como se flutuasse, como um anjo. Quando ela desapareceu por completo senti um aperto muito grande no peito. Precisava vê-la de novo.</p>
<p>Estava apaixonado.</p>
<p>Levantei-me decidido e segui a mesma direção que ela. Como se houvesse deixado um rastro de perfume pelo caminho, consegui encontrá-la. Ela pegando um táxi, acompanhada de um casal, provavelmente, seus pais.</p>
<p>Peguei outro táxi e segui-os até o centro da cidade, aonde eles entraram num restaurante elegante. Era perto da hora do almoço e eu estava faminto, mas não tinha dinheiro para segui-los até lá dentro. Desci do táxi e fiquei encostado na porta do restaurante, esperando que eles saíssem.</p>
<p>Uma hora depois eles saíram e o pai despediu-se da mulher e de meu lindo anjo. Elas foram caminhando pelo centro até entrarem numa loja de roupa feminina. Novamente pus-me a porta da loja, esperando que elas saíssem.</p>
<p>Depois de deixarem a loja elas tomaram outro táxi, e no táxi detrás, lá estava eu, louco, inconsciente, bêbado de amor por aquela jovem. Seguimos até nos afastarmos do centro, chegando num bairro residencial. Elas entraram numa casa e lá ficaram.</p>
<p>Eu aproveitei para descansar, sentado do outro lado da rua, num banquinho duro e incômodo. Tão implacável havia sido minha perseguição, que eu rapidamente adormeci, sentado.</p>
<p>Só fui acordar sobressaltado com o barulho de uma buzina. Já estava escuro, eu estava de vigília já fazia muitas horas. A buzina era de um carro parado em frente a suposta casa de minha amada. Seu suposto pai estava no volante. Logo a porta da frente se abriu e lá veio aquela visão, ainda mais linda, arrumada para uma festa, seguida da mãe. Entraram no carro e partiram.</p>
<p>Ainda sonolento demorei a perceber que perdera o rastro de minha querida. Mas a sorte não me abandonara, um ônibus vinha passando e eu quase me joguei na frente dele, para que parasse, e de fato parou. Fui dependurado no motorista, tentando não perder o carro de vista. Quando o carro seguiu uma rua e o ônibus virou em outra direção, saltei o mais rápido possível. Terminei de seguir o carro a pé mesmo, apenas com a força do amor.</p>
<p>Não demorou muito e o carro parou em frente a uma casa grande e iluminada, onde estava acontecendo uma espécie de baile.</p>
<p>Estava decidido a entrar, mesmo que fosse só para convidados. Mas talvez tenha sido aí o meu erro, pois na afobação de não perder de vista aquela imagem angelical, adiantei-me muito e aproximei-me demais. Pisei em seu pé pequeno e delicado, quando estávamos debaixo do portal de entrada da casa. Ela rapidamente virou-se para trás, esperando um pedido de desculpas.</p>
<p>- Estou completamente apaixonado por você! – as palavras saltaram de minha boca.</p>
<p>Ela me olhou de cima a baixo, como um bichinho assustado.</p>
<p>- Mas&#8230; O senhor deve ter oitenta anos!</p>
<p>- Setenta e cinco! – corrigi indignado, mas em vão.</p>
<p>Fim.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/avidadosoutros.wordpress.com/19/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/avidadosoutros.wordpress.com/19/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/avidadosoutros.wordpress.com/19/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/avidadosoutros.wordpress.com/19/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/avidadosoutros.wordpress.com/19/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/avidadosoutros.wordpress.com/19/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/avidadosoutros.wordpress.com/19/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/avidadosoutros.wordpress.com/19/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/avidadosoutros.wordpress.com/19/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/avidadosoutros.wordpress.com/19/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/avidadosoutros.wordpress.com/19/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/avidadosoutros.wordpress.com/19/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/avidadosoutros.wordpress.com/19/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/avidadosoutros.wordpress.com/19/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=avidadosoutros.wordpress.com&amp;blog=7856280&amp;post=19&amp;subd=avidadosoutros&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Quando formos adultos:</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Oct 2009 13:57:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>andrearomao</dc:creator>
				<category><![CDATA[Quando formos adultos]]></category>

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		<description><![CDATA[Clarinha e Fred baixaram a mão em cima do Ás de Copas. Impossível saber quem havia sido o primeiro. Como duas boas crianças saudavelmente competitivas e enérgicas, logo estavam rolando pelo chão, cada um defendendo sua própria vitória. Não é preciso dizer que o jogo de cartas era Tapão. Quando a briga foi separada pelas [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=avidadosoutros.wordpress.com&amp;blog=7856280&amp;post=17&amp;subd=avidadosoutros&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Clarinha e Fred baixaram a mão em cima do Ás de Copas.</p>
<p>Impossível saber quem havia sido o primeiro. Como duas boas crianças saudavelmente competitivas e enérgicas, logo estavam rolando pelo chão, cada um defendendo sua própria vitória.</p>
<p>Não é preciso dizer que o jogo de cartas era <em>Tapão</em>.</p>
<p>Quando a briga foi separada pelas respectivas babás, Frederico chorava de raiva. Clarinha reprimiu um sorriso. Não por ver o amigo chorando, mas porque logo segundos depois da briga já enxergava o curto processo infantil de pedido de desculpas e a continuação da brincadeira.</p>
<p><em>“Que besteira tudo isso, se daqui a pouco vamos estar rindo dessa briga boba&#8230;”</em></p>
<p>Achando-se muito madura, do alto de seus oito anos, ao ter chegado a tal conclusão, resolveu que Fred é quem deveria tomar a iniciativa.</p>
<p>As desculpas, no entanto, não vieram tão cedo quanto Clarinha imaginara. Depois da briga cada um passou o resto dia trancado em seus respectivos apartamentos e não se viram até o dia seguinte.</p>
<p>Na hora de ir para a escola, descendo de mãos dadas com a mãe, Clarinha topou com Fred na portaria, esperando pela van que o levava para seu colégio. Ele virou a cara.</p>
<p>Aquilo chocou a menina. Como Fred podia ser tão imaturo? Pois bem, ela era infinitamente superior a ele e isso era um fato. Clarinha decidiu, empinando o nariz, ver até onde Fred agüentaria. Ela é que não iria ceder&#8230;</p>
<p><em>“Ainda mais sabendo que assim que ele pedir desculpas, vamos começar a rir de tudo isso”</em></p>
<p>Passaram-se alguns dias. Fred ignorava Clarinha. Clarinha tampouco iria dar o primeiro passo.</p>
<p>Passaram-se meses. Chegou o fim do ano e a família de Fred mudou-se para outro prédio. Ele ganhara um irmãozinho e o apartamento de dois quartos se tornara pequenos demais.</p>
<p>No dia da mudança, Clarinha ficou assistindo o caminhão partir, pela janela. Até o último minuto esperou Fred parar de dar-lhe as costas e pedir desculpas. Não aconteceu.</p>
<p><em>“Quando ele admitir que estava errado, vamos rir tanto!”</em></p>
<p>Passaram-se alguns anos. Clarinha já tinha treze anos, já usava salto alto e tinha um namoradinho na escola. Sabia que Fred ainda estudava no mesmo colégio de antes. De vez em quando se esbarravam em alguma esquina e ele desviava o olhar.</p>
<p>Chegou o ano do vestibular. Nesse meio tempo, Clarinha vira Fred cinco ou seis vezes. Sabia que ele ia prestar Direito. O que ela achou muito irônico.</p>
<p>Seu primo era amigo do irmão mais novo de Fred. De vez em quando ela recontava para ele a história do dia do <em>Tapão</em>, sempre acrescentando ao final:</p>
<p><em>“No dia que o Fred vier me pedir perdão, eu vou achar aquela briga muito engraçada!”</em></p>
<p>A certeza de Clarinha de que Fred pediria desculpas estava toda baseada no fato mais irrefutável de todos: aquela havia sido uma briga de crianças, logo eles seriam adultos e adultos não brigam por besteiras da infância.</p>
<p>Clarinha entrou na faculdade de Letras, ficou dois anos e desistiu. Mudou para Gastronomia. Foi até o fim. Formou-se, conseguiu emprego em um restaurante renomado. Casou-se com um médico alergista. Teve duas filhas. Passava as férias na casa de praia em Maringá e o ano novo com a família do marido, em Joinvile.</p>
<p>Com o passar dos anos ela ia tendo cada vez menos noticias de Fred. Depois que seu primo foi fazer doutorado nos Estados Unidos e acabou ficando de vez, ela nunca mais soube dele.</p>
<p>Clarinha nunca deixara de pensar em Fred e na briga. A última vez que mencionou o assunto com o marido, havia sido no aniversário de quinze anos da filha mais velha.</p>
<p><em>“Fred podia estar aqui. Podia ter sido o padrinho da Gabi, mas ele sempre foi tão cabeça dura! E nós podíamos estar rindo!”</em></p>
<p>Anos depois quando a caçula anunciou que ia prestar vestibular para Direito, Clarinha aprovou a escolha da filha, deu-lhe um beijo e pediu licença, indo se trancar no banheiro. Lá dentro, encostou-se na parede, ao lado da pia, e foi deslizando devagarinho até o chão.</p>
<p>Porque ela já era adulta. E Fred também. E nada fora esquecido e eles não tinham nenhum razão para olhar para trás e rir.</p>
<p>E então Clarinha chorou.</p>
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		<title>Metáforas são metáforas são metáforas&#8230;</title>
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		<pubDate>Sat, 03 Oct 2009 20:40:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>andrearomao</dc:creator>
				<category><![CDATA[justine e artur: o fim]]></category>

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		<description><![CDATA[Como o mestre, Hitchcock,  disse um dia (não pra mim, pois eu não tive o prazer de conhecê-lo, ou o contrário&#8230;), mas como ele disse para Truffaut e eu li em um livro: &#8220;Se durante um trabalho você sentir que está afundando no terreno da dúvida e do vago, volte para o ponto de partida [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=avidadosoutros.wordpress.com&amp;blog=7856280&amp;post=15&amp;subd=avidadosoutros&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Como o mestre, Hitchcock,  disse um dia (não pra mim, pois eu não tive o prazer de conhecê-lo, ou o contrário&#8230;), mas como ele disse para Truffaut e eu li em um livro:</p>
<p>&#8220;Se durante um trabalho você sentir que está afundando no terreno da dúvida e do vago, volte para o ponto de partida ou para o ponto do qual nós nos enganamos&#8221;</p>
<p>Maaas, como meu tempo para isso é zero, vamos dizer que:</p>
<p>Justine e Artur ficaram juntos enquanto durou. Descobriram que o &#8220;relacionamento do futuro&#8221; só é válido enquanto não existem sentimentos envolvidos e que se relacionar implica em se envlver e envolver em sentir. Logo, o namoro dos dois durou até que eles ficassem de fato, apaixonados um pelo outro&#8230; depois terminou.</p>
<p>Não por isso, mas porque relacionamentos começam e terminam e não importa se você tem 19 ou 91 anos, nunca é tarde para se abrir e tentar algo novo, quando o que é velho não funciona mais.</p>
<p>E hoje está um dia lindo e eu estou muito feliz.</p>
<p>(sorriso enorme a la Cheshire)</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/avidadosoutros.wordpress.com/15/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/avidadosoutros.wordpress.com/15/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/avidadosoutros.wordpress.com/15/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/avidadosoutros.wordpress.com/15/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/avidadosoutros.wordpress.com/15/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/avidadosoutros.wordpress.com/15/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/avidadosoutros.wordpress.com/15/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/avidadosoutros.wordpress.com/15/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/avidadosoutros.wordpress.com/15/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/avidadosoutros.wordpress.com/15/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/avidadosoutros.wordpress.com/15/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/avidadosoutros.wordpress.com/15/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/avidadosoutros.wordpress.com/15/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/avidadosoutros.wordpress.com/15/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=avidadosoutros.wordpress.com&amp;blog=7856280&amp;post=15&amp;subd=avidadosoutros&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>VI. &#8211; Júlia! Você não vai acreditar!</title>
		<link>http://avidadosoutros.wordpress.com/2009/08/14/vi-julia-voce-nao-vai-acreditar/</link>
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		<pubDate>Fri, 14 Aug 2009 16:15:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>andrearomao</dc:creator>
				<category><![CDATA[Quarta parte]]></category>

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		<description><![CDATA[  A voz de Justine do outro lado da linha parecia tão cheia de entusiasmo que, por alguns segundos, Júlia acreditou que a amiga iria dizer alguma grande novidade a respeito de Lucêncio. Lucêncio, a despeito do nome horrível, era lindo. E era o primo de Justine, com quem Júlia ficara uma vez, em uma [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=avidadosoutros.wordpress.com&amp;blog=7856280&amp;post=9&amp;subd=avidadosoutros&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> </p>
<p>A voz de Justine do outro lado da linha parecia tão cheia de entusiasmo que, por alguns segundos, Júlia acreditou que a amiga iria dizer alguma grande novidade a respeito de Lucêncio.</p>
<p>Lucêncio, a despeito do nome horrível, era lindo. E era o primo de Justine, com quem Júlia ficara uma vez, em uma festa. Isso já fazia dois meses, ou se alguém perguntasse a própria Júlia, dois meses, três semanas e cinco dias (e vinte horas e quarenta e sete minutos, embora essa parte ela guardasse para si mesma. Ninguém precisa ser chama de louca ou neurótica só por contar horas e minutos&#8230;). Há sempre um <em>“je ne sais quoi”</em> em corações solitários, que fazem essas pessoas parecerem ainda mais patéticas&#8230;</p>
<p>De qualquer maneira, era bastante tempo. Mas nunca tempo o bastante para que Lucêncio resolvesse pedir a Justine o telefone de Júlia. Muito embora o mínimo lado racional de Júlia soubesse que o que quer fosse que Justine tivesse a dizer, era sobre ela própria. Ninguém telefona para uma amiga, às duas da manhã, há não ser que se trate de assuntos que diz respeito a si mesma. Qualquer outra coisa, pode ficar para o horário comercial.</p>
<p>- O que foi, Justine? – Júlia perguntou, o coração apertado.</p>
<p>- Eu estou namorando!</p>
<p>- O quê?! – o tom de indignação não poderia ter sido mais pronunciado – Você voltou com o Fernando?!</p>
<p>- Não! Eu estou namorando o Artur!</p>
<p>- Mas meu Deus! Quem é Artur?</p>
<p>- O cara do sábado!</p>
<p>- Você está namorando um cara que você conheceu sábado? Justine, você está bêbada?!</p>
<p>- O Ordnanfef&#8230; como você o chamou mesmo? – rapidamente Justine rabiscou o nome Fernando num bloquinho e leu ao contrário – Odnanref! Eu estou namorando o Odnanref!</p>
<p>- Justine&#8230; acho bom você explicar essa história melhor.</p>
<p>Justine explodiu em gargalhadas, mas logo começou a explicar. Contou tudo, com detalhes. Desde a ligação no elevador até o primeiro beijo no bar. Quando terminou, esperou do outro lado da linha a reação de Júlia. Mas tudo que ouviu foi um silêncio constrangedor. Ela mordeu os lábios, pensando que Júlia poderia ter morrido do outro lado da linha ao ouvir uma coisa tão estapafúrdia, mas finalmente a voz da amiga soou, como um lamento.</p>
<p>- Mas, Justine, como você pode namorar um cara que você nem conhece?</p>
<p>- Mas nós estamos nos conhecendo agora. Que mal há nisso?</p>
<p>- Ele pode ser um psicopata. E se ele te matar?</p>
<p>- Júlia! Fernando poderia ter sido um piscopata&#8230; não podemos prever esse tipo de coisa. Além do mais, naquele sábado você ficou com um amigo dele, não ficou? Você pode pedir a ficha completa pra ele.</p>
<p>- E vou pedir mesmo! Aliás&#8230; isso é uma ótima desculpa pra eu ligar pra ele!</p>
<p>- Hum&#8230; pensando bem, eu estava brincando. Não faz isso não, Júlia.</p>
<p>Nesse momento, Justine ouviu do outro lado da linha um estridente barulho de sinos badalando. Era o celular de Júlia, avisando que uma mensagem chegara.</p>
<p>- Mensagem de quem? – Justine perguntou, arqueando as sobrancelhas.</p>
<p>Do outro lado, Júlia deu um grito estridente, como uma menina de quinze anos. Justine, que conhecia bem aquele tipo de manifestação da amiga, balançou a cabeça, tristemente.</p>
<p>- Não me diga que é mensagem do&#8230;</p>
<p>- Do Fred! Perguntando se eu to de bobeira!</p>
<p>- Não responde, Júlia!</p>
<p>- Já respondi! Disse que sim!</p>
<p>Não demorou muito para o Fred responder. E Júlia deu um novo grito, ainda mais estridente, baixando sua racionalidade de quinze para doze anos.</p>
<p>- Ele diz que vai passar aqui em casa pra me pegar! Ai amiga, você namorando um desconhecido, eu saindo com o Fred! Hoje é nosso dia de sorte!</p>
<p>- Júlia! Você não vai sair com ele, vai?!</p>
<p>- E por que não?</p>
<p>- Porque são duas horas da manhã, Júlia! E porque o Frederico nunca te procura em um horário decente, aliás, ele nunca te procura! Por favor, Júlia, um cara que te liga a essa hora, só pode querer uma coisa com você! E não é um pedido casamento!</p>
<p>- Bom, é melhor um encontro meia-boca do que passar a madrugada sozinha&#8230;</p>
<p>- Eu não te entendo, Júlia! Você é inteligente, bonita, legal e ainda por cima, loira! Por que você tem que se comportar assim?</p>
<p>- Assim como?</p>
<p>- Como uma piranha! – Justine exclamou, irritada, se arrependendo logo em seguida.</p>
<p>Seu arrependimento foi confirmado quando o telefone do outro lado da linha foi desligado com violência.</p>
<p>Justine deu um suspiro e se ajeitou na poltrona, pensando que aquele era o momento que ela ligaria para seu namorado e contaria de sua discussão com Júlia. Mas será que Artur estava acordado? Provavelmente não. Será que ele se importava de ser acordado? Ela teria que descobrir todos esses pequenos detalhes, mais cedo ou mais tarde. E com um sorriso, Justine voltou a pegar o telefone e discou o número de seu namorado (olhando na agenda do celular, porque ela ainda não havia decorado).</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/avidadosoutros.wordpress.com/9/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/avidadosoutros.wordpress.com/9/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/avidadosoutros.wordpress.com/9/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/avidadosoutros.wordpress.com/9/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/avidadosoutros.wordpress.com/9/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/avidadosoutros.wordpress.com/9/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/avidadosoutros.wordpress.com/9/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/avidadosoutros.wordpress.com/9/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/avidadosoutros.wordpress.com/9/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/avidadosoutros.wordpress.com/9/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/avidadosoutros.wordpress.com/9/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/avidadosoutros.wordpress.com/9/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/avidadosoutros.wordpress.com/9/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/avidadosoutros.wordpress.com/9/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=avidadosoutros.wordpress.com&amp;blog=7856280&amp;post=9&amp;subd=avidadosoutros&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>V. Artur entrou num bar&#8230;</title>
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		<pubDate>Sat, 01 Aug 2009 02:07:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>andrearomao</dc:creator>
				<category><![CDATA[Terceira parte]]></category>

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		<description><![CDATA[V. &#8230;em uma esquina do Flamengo (Claro, Justine havia pensado, se ele quer encontrar comigo, que seja no meu bairro). Ele trazia as mãos afundadas no bolso da calça, o que mostrava seu nervosismo, e mais nervoso ainda ele ficou quando viu que Justine já estava lá. - Justine. – ele disse, sentindo-se subitamente sem [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=avidadosoutros.wordpress.com&amp;blog=7856280&amp;post=7&amp;subd=avidadosoutros&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>V.</p>
<p>&#8230;em uma esquina do Flamengo (Claro, Justine havia pensado, se <em>ele</em> quer encontrar comigo, que seja no <em>meu</em> bairro). Ele trazia as mãos afundadas no bolso da calça, o que mostrava seu nervosismo, e mais nervoso ainda ele ficou quando viu que Justine já estava lá.</p>
<p>- Justine. – ele disse, sentindo-se subitamente sem graça, como se toda a iniciativa nem tivesse sido dele.</p>
<p>Ela se levantou e meio sem jeito, se cumprimentaram com dois beijos na bochecha.</p>
<p>- Daqui a pouco eu tenho que ir Artur, tenho um trabalho da faculdade&#8230; – Justine começou a falar, mas logo em seguida achando aquilo muito mal educado.</p>
<p>- Claro. Eu também tenho aula hoje ainda.</p>
<p>Um silêncio constrangedor caiu sobre os dois como um piano de cauda.</p>
<p>- Então, Artur&#8230;</p>
<p>- Ah, claro, Justine! Bem, eu passei esses últimos dois dias pensando, sabe? E eu sei que pode parecer loucura, mas&#8230; – e sua idéia parecia muito melhor dois dias atrás.</p>
<p>Justine apoiou a cabeça nas duas mãozinhas delicadas e pequenas. Seus olhos redondos e escuros estavam cravados em Artur como na noite da boate. Ele também a encarou, e aquilo lhe deu coragem pra falar.</p>
<p>- Eu acho que nós podíamos namorar.</p>
<p>E pronto.</p>
<p>Justine baixou os olhos, pronta pra pegar sua bolsa e sair. Artur lhe disse que depois que falasse ia embora pra sempre, então que fosse. Aquilo era loucura e ela não queria ouvir mais nenhuma palavra. Até Fernando pareceu um homem mais racional que Artur naquele momento.</p>
<p>- Artur, eu preciso mesmo ir.</p>
<p>- Justine, espere! – ele pegou em seu braço – Faz sentido Justine!</p>
<p>Ela olhou pra ele, envergonhada do que ia dizer.</p>
<p>- Artur eu não&#8230; eu não gosto de você.</p>
<p>- Exatamente! É disso que eu estou falando! Por favor Justine, eu fiquei pensando sobre isso durante 48 horas, me deixe pelo menos falar.</p>
<p>Ele continuava segurando seu braço. Se ela quisesse podia ter puxado com força, podia ter gritado, não precisa ficar lá, amarrada a ele. Mas ela voltou a se sentar. Ele sorriu e voltou a falar, animado.</p>
<p>- Preste atenção, Justine. Você não gosta de mim, eu não gosto de você. Nós não fazemos o tipo um do outro, mas ao mesmo tempo temos uma química incrível, você não pode negar! Nós nos damos bem juntos, conversamos como velhos amigos naquele sábado.</p>
<p>- Nós estávamos bêbados, Artur.</p>
<p>- Não, não estávamos. E tem mais: você não agüenta mais relacionamentos destruídos, eu também não! Você não suporta mais a dor, você não suportar mais amar Justine!</p>
<p>Ele ganhara de novo sua atenção.</p>
<p>- Se nós começássemos a namorar, o que poderia acontecer? Não dar certo, na pior das hipóteses. Aí, nós terminaríamos. Mas o melhor: sem sofrimento, sem culpa, sem amor.</p>
<p>- Mas qual o objetivo de começarmos a namorar, se vamos terminar logo depois?</p>
<p>- O objetivo é passarmos um tempo legal juntos, que talvez sirva para nos ajudar a esquecer antigos companheiros. E talvez nós não terminemos nunca, talvez esse seja o relacionamento do futuro. E eu não sou nenhum psicopata nem tenho intenções de te matar, meus amigos se responsabilizam por mim, se quiser ligar pra eles.</p>
<p>Ele jogou o celular em cima da mesa, que rolou até a mão de Justine. Ela o rodou de volta pra Artur.</p>
<p>- Então, o que me diz? – ele perguntou.</p>
<p>Ela ficou em silêncio, mas parecia estar considerando, ou se preparando para fugir. Artur não tirava os olhos dela, aqueles olhos absurdamente castanhos, tão diferentes dos olhos de Fernando&#8230; Fernando! E já estava ela pensando nele de novo. Não, chega desse sofrimento, chega de Fernando. Artur tinha razão.</p>
<p>- Isso provavelmente é a maior loucura que eu vou fazer em toda minha vida mesmo, então&#8230;</p>
<p>- Você topa?</p>
<p>Ela estendeu a mão para ele.</p>
<p>- Topo.</p>
<p>Ele se levantou e pegou em sua mão, aproveitando pra puxar todo seu braço, trazendo-a pra junto dele, e eles deram seu primeiro beijo de namorados.</p>
<p>- Mas algo me diz que ainda vamos nos arrepender muito no futuro. – Justine disse balançando a cabeça.</p>
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		<item>
		<title>Pela última vez.</title>
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		<pubDate>Fri, 22 May 2009 12:34:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>andrearomao</dc:creator>
				<category><![CDATA[Primeira parte]]></category>

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		<description><![CDATA[(Parte I) I. Estava tudo acabado. Definitivamente. E dessa vez era sem volta. Não seria como das outras três vezes em que Justine terminara com ele e depois acabou voltando. Não, dessa vez era diferente, porque dessa vez ele terminara com ela. E ao contrario dela, Fernando não era nenhum sentimental, e como prova disso [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=avidadosoutros.wordpress.com&amp;blog=7856280&amp;post=1&amp;subd=avidadosoutros&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>(Parte I)</p>
<p>I.</p>
<p>Estava tudo acabado. Definitivamente. E dessa vez era sem volta. Não seria como das outras três vezes em que Justine terminara com ele e depois acabou voltando. Não, dessa vez era diferente, porque dessa vez <em>ele</em> terminara com ela. E ao contrario dela, Fernando não era nenhum sentimental, e como prova disso estava o modo como ele terminara com ela. <em>“Acho que não gosto mais de você”</em> ele havia dito, em meio a um suspiro de cansaço <em>“E afinal, depois de você terminar e voltar comigo umas vintes vezes, nossa relação ficou muito abalada”.</em></p>
<p><em>Relação abalada!</em> E desde quando Fernando sabia falar esse tipo de palavra? E desde quando ele sabia o que era uma relação abalada?!</p>
<p>Mas era melhor assim, Justine repetia pra si mesma, entre um soluço e outro. Agora ela nunca mais teria que ficar se preocupando em terminar com Fernando e logo em seguida voltar com ele, seduzida por aqueles cabelos dourados de Apolo ou aqueles olhos verdes cativantes. Porque, sim, Fernando era muito bonito.</p>
<p>Talvez o problema fosse esse. Esses homens bonitos demais. Afinal, o problema de Justine não havia sido só com Fernando, mas com os últimos dois também. Todos lindos, e só. Mas agora mais nada disso importava, ela estava livre, livre da beleza oca de todos os homens do mundo, porque Justine já tinha 22 anos e era hora de crescer e esquecer os homens. Todos eles. E debruçada na janela de seu apartamento no 11º andar, ela olhava a praia do Flamengo, chorando copiosamente por mais um homem que não merecia suas lágrimas. Mas aquela era a última vez, ela dizia, limpando as lágrimas que escorriam pelo canto dos olhos.</p>
<p> </p>
<p>Não muito longe dali, num prédio de quatro andares no meio do Botafogo, Artur não se entregava às lágrimas por Isadora. Mesmo porque, não havia motivos pra isso. Claro que não. O que eram quatro anos de namoro jogados pro alto, junto com a lingerie vermelha de Isadora e uma cueca ridícula de coração?! Que, aliás, não era de Artur! O que importava todos os presentes, todos os telefonemas estourando os créditos do celular dele, todas as mensagens desejando um bom-dia, o rocambole de doce-de-leite que ele aprendera a fazer, só pra levá-lo pra ela, quando ela ficou doente?! O que importava tudo isso?! Todas as pequenas surpresas que ele havia feito pra ela, que ela retribuiu com uma única e gigantesca surpresa, de 1,80 deitado na cama dele!</p>
<p>Isadora não merecia suas lágrimas, claro que não. Nem seu coração, nem sua criatividade ou paciência, nem nada. O que ela merecia era seu fígado. “E é isso mesmo que eu vou pedir aos médicos para entregarem a ela, quando eu morrer de cirrose!” Artur pensou, abandonando mais uma garrafa de cerveja vazia, junto com outras seis, amontoadas no sofá.</p>
<p>Enquanto ele se levantava cambaleando, tropeçou na garrafa de vodka vazia pela metade e caiu de joelhos. Gritou de raiva e também porque estava bêbado. Amaldiçoou Isadora e todas as mulheres do mundo. Amaldiçoou o mundo todo. Os homens também, e as crianças e os idosos e os animais. Até os gatos, até seu próprio gato.</p>
<p>Quando conseguiu se levantar, desistiu de pegar outra cerveja e foi se arrastando para o quarto. Jogou-se na cama enojado. A mesma cama em que encontrara Isadora com aquele homem ridiculamente bronzeado.</p>
<p>Isadora, Isadora&#8230; Não queria mais pensar nela, e não ia mais pensar. Nem nela, nem em ninguém.</p>
<p> </p>
<p>II.</p>
<p>Os dois se conheceram numa boate. Ambos arrastados pelos amigos, que diziam não suportar mais assistir a autodestruição dos dois (mas, que na verdade não suportavam mais as ligações no meio da madrugada, cobertas de choros, e intermináveis <em>“Por quê ele(a) terminou comigo?!”</em>).</p>
<p>Nenhum dos dois grupos de amigos acreditou quando viram os dois se aproximando. A atração foi imediata, quase como dois imãs de sinais contrários. Justine não ficou surpreendida quando Artur veio conversar, ela já estava olhando para ele há muito tempo. Naquela noite ela estava resolvida a só se aproximar de homens que fossem muito diferentes de Fernando e dos dois últimos Fernandos. E Artur era. Ele não era muito alto, quase da altura dela, com cabelos avermelhados, mas não muito e olhos absurdamente castanhos.</p>
<p>Ela sorriu de imediato, ao ver que ele não era nada do que ela procurava num homem. “Ótimo” pensou “uma oportunidade única de ficar com um homem e não me apaixonar imediatamente por ele”.</p>
<p>Artur, mesmo estando de costas, sentiu que havia um olhar cravejado em cima dele. Olhou pra trás se deparando com um par de olhos redondos e escuros. Não era, definitivamente, seu tipo, mas pensando bem, Isadora era seu ideal de mulher perfeita, e tudo terminara da pior maneira possível. Talvez fosse melhor mesmo variar um pouco, e na verdade estava se sentindo bem atraído por aqueles cabelos castanhos curtos.</p>
<p>A conversa fluía bem. Ele sorria o tempo todo, e ela gostou do seu sorriso. Ele tinha um jeito de menino, nem aparentava os 24 anos que tinha. Ele gostou do nome dela, era diferente, era francês. Ela também gostou do dele, desde menina gostava das aventuras do Rei Artur.</p>
<p>- Mas sempre gostei mais do Lancelote. – admitiu – Ele fazia mais meu tipo.</p>
<p>- Tudo bem. – ele respondeu – Nunca gostei mesmo de nomes franceses, sempre preferi os espanhóis.</p>
<p>E quando os dois grupos de amigos se deram conta, eles não estavam mais na boate. Àquela altura já deviam estar chegando ao prédio de cinco andares, no Botafogo&#8230;</p>
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